Meus planos quanto ao meu mochilão eram chegar por Lima dia 03.05.2018 e voltar 18.07.2018 por Santa Cruz de la Sierra.
Mas, com o role da Aiesec, eu realmente me frustrei e posso dizer: trabalhar nas férias não é pra mim.
Eu cheguei jurando que seria algo bem legal, que conheceria pessoas incríveis e que seria algo pra marcar minha vida positivamente.
Bom, antes de ir pra lá, eu estava em Cuzco, vivendo um romance de 24h com um brasileiro que eu jurava que seria o pai dos meus cinco filhos (ou pelo menos da Antonella que eu achei que estava por vir).
Eu não queria ir embora. Eu não queria ter que deixar de passear em uma viagem. Eu não queria ter rotina e muito menos alguém mandando e desmandando o que eu deveria fazer. Eu estava plena viajando e agora eu ia ter que parar tudo para seguir ordens e horários e trabalhar.
Essa ideia estava muito negativa na minha cabeça. Cogitei não ir, mas meus amigos fizeram uma super pressão psicológica e eu decidi ir. Que bom que eu fui. A única coisa que salvou nesse intercâmbio foi a família da Denis.
Eu tinha meu quartinho lindo e calientito, em uma super casa de três andares, com um casal de velhinhos (Victor e Olinda). Eu nunca convivi com meus avós, e tive contato quase zero com eles enquanto vivos. Então eu achei essa experiência de morar com eles muito boa por isso.
Mas, em outros aspectos era ruim porque eu não podia sair muito, ou tinha que mentir, assim como Denis. A primeira semana de adaptação pra mim foi bem ruim por isso. Mas com o tempo, as coisas se ajeitaram.
Vamos lá, o trabalho: eu estava decidida que essa foi a pior opção que tomei durante essa viagem - trabalhar nas férias. E eu não estava nem um pouco disposta a ter horário pra acordar, pra pegar ônibus, pra voltar pra casa.
Pra quem estava vivendo um mundo de liberdade, chegar e ter que lidar com isso foi bem difícil e, por vezes, estressante.
A ONG era um caos, pura lavagem de dinheiro. As garotas não obedeciam e todos os dias mudavam nossos horários. Essas coisas só foram me dando mais raiva ainda de tudo isso. Era como se eu não estivesse viajando e esse lapso não estava legal, eu estava mais cansada do que se eu estivesse trabalhando aqui.
Tudo isso aliado aos absurdos da ONG só me deram coragem pra abandonar o projeto com 4 semanas. E não me arrependi nem um pouco disso. Pelo contrário, me senti tão aliviada ao partir, como se eu estivesse sendo libertada da prisão e que a liberdade voltaria. E voltou.
Com a família eu fui feliz, desenvolvi o espanhol de verdade, aprendi sobre os costumes, as comidas, a conviver com idosos. Los extraño. Pero solamente eso.
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