segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O retorno - parte 2

Como eu saí do projeto mais cedo que o esperado, meu voo seria um absurdo para trocar. Então, não tive outra opção a não ser voltar de ônibus.

Assim que eu segui a viagem, fiquei em La Paz, onde fiz passeios incríveis e retornei à viagem como deveria ser. Lá eu conversei com algumas pessoas que não aconselharam a fazer o Salar por conta da nevasca. Ótimo, mais dias eu teria que adiantar da minha volta..

No passeio da Ruta de la Muerte, que foi o mais mais dessa trip, conheci Alina. Uma alemã que morava em Sucre e era voluntária em um hospital.Viramos super amigas, e até as pessoas percebiam nossa conexão conceitual. Fomos juntas então para Sucre.

Sucre é uma cidade bela, a verdadeira capital da Bolívia, e de uma paz que nem se compara com La Paz. Conversando mais uma vez com viajantes, conheci uma israelense que me convenceu a ir para o Salar..

Contrariando tudo, até a mim mesma, comprei passagem para o Uyuni e parti. Chegando lá, o ônibus apenas despeja a gente no meio do nada. Sorte que de tanto ler, já sabia de uma senhorinha que apareceria do nada e que me levaria ao seu café, exatamente como li nos blogs.

Lá eu estava com 3 gringas chatas pra caralho. Elas decidiram seguir juntas e eu.. ah, eu não. Eu queria experiências reais. Que sorte a minha. No mesmo café conheci Claudia, Liset e Francesco. A latinidade das peruanas já se prontificou de fazer a nossa conexão.

Seguimos atrás de agências e partimos para o maior deserto de sal, por três dias! Três dias totalmente desconectadas de tudo dessa vida mundana e totalmente imergidas na conexão do universo, da natureza, da pureza.

Boas risadas, perrengues e lembranças. Ah, nesse passeio também foram dois brasileiros aqui do quadradinho, Renata e Jader. Ainda bem que eram bons brasileiros, de alma boa aventureira, porque no geral, só tem brasileiro mala! Que saco só de lembrar.

Ao retornar, fui novamente para Sucre. De lá, parti para Santa Cruz. Meus planos eram ficar uns 2 a 3 dias em Santa Cruz, mas, olhando o calendário.. eu queria passar meu aniversário aqui, com gente que gosta de mim de verdade. Então, chegando em Santa Cruz, já comprei passagem para ir no mesmo dia à noite para Puerto Quijarro, na fronteira.

E assim eu fiz, dei um passeio por Santa Cruz, e amei a cidade, certamente, eu moraria ali. Cada cidade na Bolívia é especial a sua maneira. Naquela noite, eu segui para a fronteira de Puerto Quijarro, troquei o restante dos bolivianos, peguei um taxi e fui para a fila da fronteira. Comprei uma empanada e cafezinho com uma brasileira e dei todas as minhas moedas.

Lá, atravessei andando para o Brasil e, ouvir as pessoas falando português depois de algum tempo, foi estranho e acolhedor ao mesmo tempo.

Quando eu vi um carro passando a fronteira ouvindo funk em toda altura, eu tive certeza: voltei pra casa.

Mas não estava ainda em casa.. Feito os trâmites legais, peguei uma van junto com uma galera da Medicina que estava voltando pra casa depois de uma formatura. Alguns, indo passar férias, outros haviam se formado mesmo e já não voltariam. Conheci pessoas incríveis nessa van e fui grata por isso, pela minha casa estar me recebendo assim de volta. Eu estava muito feliz!

No caminho, pedi para a Jéssica olhar passagens de avião para Brasília naquele dia, véspera do meu aniversário. R$ 373,00, com taxas, para as 20h. É essa aí mesmo! Vou voltar pra minha caminha ainda hoje!

Foi o máximo esse dia! Acordar em Puerto Quijarro, almoçar perto de Campo Grande e dormir em Brasília, na minha casa.

O céu quando cheguei no aeroporto estava muito lindo!

Combinei do meu irmão ir me pegar. Deu tudo certo, fiz uma surpresa tão grande aqui em casa, que meus pais quase não acreditaram. Nem eu.

Sabe aquela sensação de que "será que isso aconteceu mesmo?", tenho ela com frequência, mas sim, ela aconteceu e está tudo registrado.

No outro dia, era meu aniversário, ganhei flores e a vitória do Brasil na copa, que finalmente, vi o jogo sendo narrado em português! Sem pelotas! hahahah

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