Esse ano tem sido surpreendentemente bom para mim e uma das grandes surpresas tem sido ser reconhecida como alguém que pessoas (que eu jamais imaginei) querem por perto.
Isso tem me instigado bastante, porque eu nunca me senti uma pessoa inteligente ou exemplo a ser seguido academicamente falando.
Esse dia foi especial para mim. O diretor da minha faculdade me cumprimentou com um belo sorriso e sentou do meu lado durante uma palestra. Ele sabe meu nome. Ele me oferece Lindt nas reuniões periódicas que temos. Eu tenho uma queda por ele.
Como de costume, estava comendo minha marmita, quando o professor que mais admiro chega em minha mesa e pede para que eu e minha amiga almoce com ele. Alguém da ONU, alguém vindo de Genebra, alguém que vai pro Uruguai. Reluto, reflito, estou no carro da sua assistente.
Pergunto-me: o que eu estou fazendo? Estou nervosa, sem jeito, mais tímida que o normal. Setor de Clubes Sul, dia radiante, sensação de que aquela bela realidade nunca vai me pertencer (por mais que eu queira). Um restaurante lindo. E caro. Muito caro. Agora não dá mais pra abrir a marmita de macarrão e pegar um ônibus pra Prática III.
Um uruguaio, um lobbista, um professor exemplar, uma assistente e duas paraquedistas. Um frango excepcional, com acompanhamentos que não consigo pronunciar, sobremesas e risadas. Um dia perfeito na high society. Planos e esperanças depositadas.
Só que esqueceram de um detalhe: eu não consigo cumprir os meus objetivos, eu não faço o que eu planejo, eu não sou determinada nem consigo o que quero. Sou procrastinadora. E nisso sou das melhores.
É triste. É decepcionante. É frustrante. Se é assim pra mim, que me conheço, imagina para quem deposita uma esperança, que simplesmente não existe, em mim. Desculpa o transtorno, mas a decepção comigo é inevitável.
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