quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A.

Efemeridade da vida. Ainda tenho a lembrança do melhor ano novo que tive, no melhor ano que vivi até agora. Lembro de cada detalhe e beijo. De cada risada e chapada. Também lembro que te procurei no dia seguinte e não te vi mais, havia ido embora muito cedo, sem nem se despedir. Conversas que despertavam em mim a admiração que sempre tive em você. Inteligência, delicadeza, sutileza, determinação. Você era tudo isso e muito mais. Era inspiração. Juntar 30 mil antes de se formar! Vê se pode? Estudar até chegar ao auge: magistratura. Muitos planos e sonhos ficaram ali no Mirante. Agonia me toma ao lembrar que você me procurou duas semanas antes e também nos dois dias antes da sua passagem. Fui incapaz de mandar um “tudo bem?”. Estava tomada pelo meu egocentrismo pensando que queria repetir nossas besteiras. Era o seu grito de ajuda velado, era uma forma de me dizer que não fui indiferente em sua vida. Obrigada por isso. Tenho a teoria de que se a passagem de ano for boa, tudo vai bem no ano. Estava assim até ontem. Até você fazer a sua passagem. Até você ir embora sem nem se despedir. De novo. Pra sempre.

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