Efemeridade da vida. Ainda tenho a lembrança do melhor ano
novo que tive, no melhor ano que vivi até agora. Lembro de cada detalhe e
beijo. De cada risada e chapada. Também lembro que te procurei no dia seguinte
e não te vi mais, havia ido embora muito cedo, sem nem se despedir. Conversas que
despertavam em mim a admiração que sempre tive em você. Inteligência,
delicadeza, sutileza, determinação. Você era tudo isso e muito mais. Era
inspiração. Juntar 30 mil antes de se formar! Vê se pode? Estudar até chegar ao
auge: magistratura. Muitos planos e sonhos ficaram ali no Mirante. Agonia me
toma ao lembrar que você me procurou duas semanas antes e também nos dois dias
antes da sua passagem. Fui incapaz de
mandar um “tudo bem?”. Estava tomada pelo meu egocentrismo pensando que queria
repetir nossas besteiras. Era o seu grito de ajuda velado, era uma forma de me
dizer que não fui indiferente em sua vida. Obrigada por isso. Tenho a teoria de
que se a passagem de ano for boa, tudo vai bem no ano. Estava assim até
ontem. Até você fazer a sua passagem. Até você ir embora sem nem se despedir. De novo. Pra sempre.
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