sexta-feira, 14 de abril de 2017

Conexão P.

Em viagem despretensiosa acompanhada de mim mesma, boas surpresas surgem. Mais uma vez.

Eu estava a procura daquilo que me faz sentir viva e que eu só encontro quando estou viajando sozinha. Talvez por estar distante daquilo que julgo ser a minha vida, talvez por ser o momento em que eu sou desafiada pelo desconhecido, pelo momento em que eu saio da minha zona de conforto, talvez por eu descobrir a minha própria essência estando comigo mesma e enxergando o mundo com as lentes que ele merece.

Por todas essas razões, eu me perco e me encontro várias vezes ao dia estando longe da minha realidade e, com isso, não gosto de desperdiçar esse tempo com outras pessoas. Egoísta talvez, mas é o meu melhor momento, na minha melhor fase.

Sem dar espaço para as pessoas que estavam ao meu redor, uma feliz coincidência: estava compartilhando quarto com um inglês belíssimo e muito educado. Ele se esforçava bastante tentando puxar papo comigo e me conhecer melhor. Eu, por vezes, seca e rude, respondendo somente o necessário, pois não queria desperdiçar meu tempo com mais ninguém, a não ser comigo mesma - o que já me tomava bastante tempo.

Mas ele não desistiu, mesmo após diversos convites rejeitados por mim. Resolvi dar uma chance e estar aberta a conhecê-lo também.

Lapa, caipirinhas e samba. 
Estive plena dançando até os pés doerem e retornarmos para nosso quarto às 5h40 embriagados.

Dia seguinte: juntos. Como se nos conhecêssemos há um bom tempo, química e física rolaram (pelo menos da minha parte). Carícias, mãos dadas, risadas. Nada mais que isso.
Momentos incríveis, com vistas inesquecíveis partilhamos juntos. 

Ipanema posto 11. 17h43. Cervejas, massagem e pôr do sol.
Combustão dentro de mim com o toque dos seus dedos no meu cabelo e com seus lábios no meu pescoço.

Preciso partir. E assim o fiz esperançosa com a promessa de uma visita.

Esperei acordada por esse dia, Até que ele chegou. E chegou trazendo sua bela risada e cabelos dourados pra debaixo dos meus dedos.

Uma tarde, canga, cafunés e pôr do sol.

Dia seguinte: nossa terceira viagem. Lua de mel.
Eu estava maravilhada com todos esses momentos que eu estava vivendo e compartilhando com ele.

Barracas, cachoeiras, pôr do sol.

Assim aconteceu o êxtase. Prazer intenso domina meu corpo e minha mente. Só quero sentir você dentro de mim. Só quero sentir. Só quero você. Você e seus dedos e língua e cabelos. Você, com toda sua paciência, carinho e proteção comigo. Você.

Saudade é amor. Te sigo esperando. Até o próximo pôr do sol.

Florescer

Eis que me sinto viva, plena e livre novamente.
Minha cabeça foi oxigenada por um ar de liberdade que me toma por completo agora.

Voltei do Rio de Janeiro. Mas me pergunto se eu voltei mesmo. Voltei outra T. J. Aquela versão passada e preocupada com o futuro incerto deixei pra trás.
Agora o futuro incerto me desafia e me instiga a procurar novos ares em outros cantos do mundo, pois, quando eu terminar a graduação este ano, eu não terei nada que me prenda aqui. Não terei um emprego aqui nem em qualquer outro lugar do mundo, então por que não recomeçar em um lugar que me faça realmente feliz? 

Cada vez que retorno de uma viagem sinto que a certeza de que eu não pertenço a esse lugar cresce mais forte dentro de mim e esse sentimento cria raízes mais fortes e estão germinando com uma velocidade muito rápida. Rego-as com amor, por isso sei que darão lindas flores. Então, florescerei.